segunda-feira, 28 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
"O segredo do teus olhos" em cartaz em Santa Cruz
Começa hoje à noite a exibição de O segredo dos teus olhos numa das salas do cinema aqui de Santa Cruz.
Imperdível. Já comentei sobre o filme num post anterior.
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella, em primeira semana.
Sinopse: oficial de justiça aposentado se dedica a escrever um livro e usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha. Com Ricardo Darín, Pablo Rago.
Gênero: drama.
Origem: Argentina/Espanha, 2009.
Censura: 16 anos.
Duração: 130 minutos.
Horários: 19 e 21h30.
Imperdível. Já comentei sobre o filme num post anterior.
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella, em primeira semana.
Sinopse: oficial de justiça aposentado se dedica a escrever um livro e usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha. Com Ricardo Darín, Pablo Rago.
Gênero: drama.
Origem: Argentina/Espanha, 2009.
Censura: 16 anos.
Duração: 130 minutos.
Horários: 19 e 21h30.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
O Sujeito
Apertou no botão do 11º andar. Depois de o elevador ter voltado quatro vezes ao térreo, acordou e desceu. Saiu para a rua, andou uma quadra. Não estava no 11º. Voltou e fez o que havia programado fazer.
O carro estava com as janelas abertas e o celular atirado sobre o banco. Ninguém percebeu, tampouco ele e nada saiu do lugar. Ligou o carro e chegou ao trabalho. Estava adiantado, mas não mais do que uma hora. Não estranhou que o escritório ainda estivesse vazio. Não leu o jornal, ele não estava sobre a mesinha na sala do café. Tudo normal.
Atendeu ao telefone mais de 20 vezes. Não resolveu nenhum dos problemas. Foi pra casa satisfeito. Tarde resolvida e hora de jogar Wii.
Não se passava um só dia que não houvesse alguma novidade, alguma situação excitante. Nada lhe dizia respeito. Nem as linhas duras que nasciam. Nem a invisibilidade. Nem o sumiço da memória.
O mundo se transformou num fluxo de signos vazios. Significantes puros fluindo ao redor do Sujeito. Não era algo sobre o qual pensasse ou se desse conta. Ele já era um objeto movido pelo fluxo e só existia por ser algo assim. O estado constante das efemeridades sobrepostas preenchia o vácuo. Uma quarta dimensão sem as outras três.
Viveu. Nem nasceu, nem morreu. Viveu e era o que se podia dizer porque só havia a constância de um estar por ali. Ninguém mandou um telegrama avisando sobre a morte do significado. Conheceu a eternidade, mas nunca conheceu o seu sentido. Não fazia mesmo sentido.
O carro estava com as janelas abertas e o celular atirado sobre o banco. Ninguém percebeu, tampouco ele e nada saiu do lugar. Ligou o carro e chegou ao trabalho. Estava adiantado, mas não mais do que uma hora. Não estranhou que o escritório ainda estivesse vazio. Não leu o jornal, ele não estava sobre a mesinha na sala do café. Tudo normal.
Atendeu ao telefone mais de 20 vezes. Não resolveu nenhum dos problemas. Foi pra casa satisfeito. Tarde resolvida e hora de jogar Wii.
Não se passava um só dia que não houvesse alguma novidade, alguma situação excitante. Nada lhe dizia respeito. Nem as linhas duras que nasciam. Nem a invisibilidade. Nem o sumiço da memória.
O mundo se transformou num fluxo de signos vazios. Significantes puros fluindo ao redor do Sujeito. Não era algo sobre o qual pensasse ou se desse conta. Ele já era um objeto movido pelo fluxo e só existia por ser algo assim. O estado constante das efemeridades sobrepostas preenchia o vácuo. Uma quarta dimensão sem as outras três.
Viveu. Nem nasceu, nem morreu. Viveu e era o que se podia dizer porque só havia a constância de um estar por ali. Ninguém mandou um telegrama avisando sobre a morte do significado. Conheceu a eternidade, mas nunca conheceu o seu sentido. Não fazia mesmo sentido.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Fotos noturnas
Fazia horas que não me estimulava a fotografar alguma coisa.
Semana passada decidi sair com minha Sony V1 e tentar registrar uma esquina pela qual passo diariamente e sempre me chama a atenção por seu contraste, por sua capacidade cenográfica. Fotografei-a antes de desaparecer. Uma hora dessas alguém acha que os pés de pêra estão atrapalhando ou o antigo prédio da fábrica de óleo é demolido, bom, e daí já era. Perdi várias cenas pela cidade ao protelar minhas ideias.
Como estava pela rua mesmo já aproveitei e fiz mais uma da Igreja Luterana (na Venâncio Aires com a 7 de Setembro). Uma foto trivial. Vale mais pela oportunidade de fotografar sem o prédio que havia na frente, tornando, assim, o ângulo mais fácil de ser trabalhado.
Outra nota. A iluminação, o estado e o entorno da igreja estão em excelente estado e facilitam qualquer olhar, seja de um turista, de um pedestre, de um crente, de um fotógrafo.
Semana passada decidi sair com minha Sony V1 e tentar registrar uma esquina pela qual passo diariamente e sempre me chama a atenção por seu contraste, por sua capacidade cenográfica. Fotografei-a antes de desaparecer. Uma hora dessas alguém acha que os pés de pêra estão atrapalhando ou o antigo prédio da fábrica de óleo é demolido, bom, e daí já era. Perdi várias cenas pela cidade ao protelar minhas ideias.
Como estava pela rua mesmo já aproveitei e fiz mais uma da Igreja Luterana (na Venâncio Aires com a 7 de Setembro). Uma foto trivial. Vale mais pela oportunidade de fotografar sem o prédio que havia na frente, tornando, assim, o ângulo mais fácil de ser trabalhado.
Outra nota. A iluminação, o estado e o entorno da igreja estão em excelente estado e facilitam qualquer olhar, seja de um turista, de um pedestre, de um crente, de um fotógrafo.
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fotografia,
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
Juan José Campanella
Achei que "A fita branca" era imbatível como concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro este ano. Enganei-me. Fui ver, tempos depois, o ganhador: "O segredo dos teus olhos", de Juan José Campanella. Não cheguei a mudar radicalmente de opinião. No entanto, esse diretor, já com longa trajetória, que até então eu havia feito pouco caso, por pura falta de curiosidade mesmo, entra para a minha listinha de grandes diretores contemporâneos.
Desde "O segredo", já vi "O filho da noiva" (2001) e "El mismo amor, la misma lluvia" (1999). Sei, sei, muita gente já viu e gostou. O quê posso fazer? Vi agora, na sequência, e posto aqui como sugestão de bom cinema atual.
Não procure por grandes inovações estéticas, mas para quem, assim como eu, gosta de uma história bem contada, com tramas habilmente entrelaçadas e uma contextualização bem elaborada com as condições históricas de fundo, eis o diretor.
Desde "O segredo", já vi "O filho da noiva" (2001) e "El mismo amor, la misma lluvia" (1999). Sei, sei, muita gente já viu e gostou. O quê posso fazer? Vi agora, na sequência, e posto aqui como sugestão de bom cinema atual.
Não procure por grandes inovações estéticas, mas para quem, assim como eu, gosta de uma história bem contada, com tramas habilmente entrelaçadas e uma contextualização bem elaborada com as condições históricas de fundo, eis o diretor.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
das trivialidades
Enquanto eu invisto meu tempo - meu precioso tempo! - lendo Verão (de Coetzee), pensando em como dar forma e sentido a uma tese que se arrasta, planejando uma viagem, avaliando provas e comprando o presente para o dia da minha mãe, o mundo insiste em se manifestar com sua notável indiferença.
Lá longe, as manifestações dos gregos matam pessoas, a bolsa cai, o dólar sobe, o papa tenta explicar a pedofilia, o petróleo se espalha pelo mar, o fanatismo continua a semear o terror e a ladainha segue.
Por aqui, as casas racham, a corrupção galopa, a ambição dos donos do mercado imobiliário não respeita nada e a incompetência para gerenciar o interesse público vira a regra.
Só mais uma semana nos nossos dias. Sim, e todos sobreviverão apenas porque é inevitável.
Lá longe, as manifestações dos gregos matam pessoas, a bolsa cai, o dólar sobe, o papa tenta explicar a pedofilia, o petróleo se espalha pelo mar, o fanatismo continua a semear o terror e a ladainha segue.
Por aqui, as casas racham, a corrupção galopa, a ambição dos donos do mercado imobiliário não respeita nada e a incompetência para gerenciar o interesse público vira a regra.
Só mais uma semana nos nossos dias. Sim, e todos sobreviverão apenas porque é inevitável.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Ausência
Cortou caminho pela praça. Começou a travessia usando um corte da quadra em 45 graus. A hipotenusa era mais curta. Matemática prosaica. Deparou-se com o chafariz e seus cavalos-marinhos que cospem água. Fazer a volta, e era inevitável, tornaria o tal caminho mais curto num percurso semelhante à soma dos catetos.
Caminhando cada vez mais lentamente e batendo com os dedos na murada de metal no entorno do chafariz ele acabou parando. Isto ele nem notou.
Desde um tempo já esquecido isso acontecia. Pensava mais um pouco e “acontecer” já não parecia ser o verbo adequado. Desde esse tempo inexistente, porque era incapaz de ser lembrado, ele era. Isso. Ele era assim. Não se tratava de algo que acontecia a espaços de tempos regulares ou não.
Pensou se tratar, depois de solucionado o verbo, de um traço inato. Caiu mal o adjetivo. Por conta disso declarou que inato não era. Seria, então, adquirido. O tempo e as coisas mundanas o tornaram. Tornar-se. Isso sim caía bem. O capricho do pensamento fez ‘ser’ e ‘tornar-se’ entrarem em conflito. Era questão de ordem, pensou. Ele se tornou quem era e desde que se transformou passou a ser quem de fato era. Pois estava bem feita a equação.
A paz, mesmo assim, não encontrou recanto.
Ele era algo e só pode concluir isso. Mas esse era, esse ser não encontrava um eco, uma só palavra que pudesse fazê-lo, pelo menos, discordar. A pergunta era seguida de um silêncio absoluto. Esse lugar quieto e inerte ganhou o nome de ausência. Nessa ausência ele se acomodava com constância.
Naquele canto habitado pelas perguntas que perdem a matéria, ele achou quem era e como havia se tornado nisso. Uma maldição de tempo infinito lançada por uma boca muda tornara-o aquele que nunca está onde está, aquele que sempre foi ou será, aquele que é ausente.
Aquele ponteiro, durante a ausência, continuava sendo uma reta presa a um ponto que servia para fazê-la girar em seu eixo. Contou 180 graus de giro durante o vácuo. Viu-se, ali no meio da praça, como um ponteiro imóvel. Seguiu adiante. Já era tarde.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Concurso fotográfico SESC-RS (edição 2010)
Recebi o prêmio de melhor foto na categoria 'comerciários' no concurso que o SESC-RS promove há sete anos.
Confira a matéria publicada na Gazeta do Sul de hoje.
Confira a matéria publicada na Gazeta do Sul de hoje.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Texto do Gustavo Ioschpe na Veja desta semana
O texto não está disponível na web ainda e por isso não tenho como fazer um link para a leitura do dito cujo.
De qualquer forma, sugiro a leitura a todos. O texto fala sobre a relação entre educação, capital humano e desenvolvimento econômico em diversos países durante o período de 1960 a 1992.
Ioschpe nos chama a atenção para o fato de estarmos nos encaminhando para a consolidação do Brasil como uma potência econômica, no entanto, esse desenvolvimento não tem sido acompanhado por melhoras significativas na educação. Seremos e somos, nas palavras dele e com as quais eu concordo e faço coro, uma 'potência de iletrados'.
Lemos mal, escrevemos mal, calculamos mal e assim por diante. Um dado se destaca entre os tantos que o autor recupera. Se levássemos em consideração aquilo que se considera como um padrão aceitável em termos mundiais o conceito de sujeito alfabetizado, teríamos apenas 25% da população brasileira contemplada nesse patamar. Essa tal de alfabetização ideal significa considerar alguém que entenda um texto como o que está expresso na própria revista.
Defender a educação como algo estratégico, entendê-la como crucial para alcançaramos um desenvolvimento duradouro, com uma visão política madura e de longo prazo são parâmetros que não podem ficar colados a ideologias políticas de esquerda ou de direita. Devem ser privilegiados com ações bem elaboradas na qualificação dos currículos, na atração de bons professores, na avaliação constante de educadores e alunos e assim por diante. Bons salários, obviamente, são necessários e tanto melhor será se eles servirem de incentivo e forem destinados àqueles que fazem o melhor trabalho.
Já que não tenho texto desta semana, segue este de um ano atrás. A forma de pensar é a mesma e os dados são outros.
De qualquer forma, sugiro a leitura a todos. O texto fala sobre a relação entre educação, capital humano e desenvolvimento econômico em diversos países durante o período de 1960 a 1992.
Ioschpe nos chama a atenção para o fato de estarmos nos encaminhando para a consolidação do Brasil como uma potência econômica, no entanto, esse desenvolvimento não tem sido acompanhado por melhoras significativas na educação. Seremos e somos, nas palavras dele e com as quais eu concordo e faço coro, uma 'potência de iletrados'.
Lemos mal, escrevemos mal, calculamos mal e assim por diante. Um dado se destaca entre os tantos que o autor recupera. Se levássemos em consideração aquilo que se considera como um padrão aceitável em termos mundiais o conceito de sujeito alfabetizado, teríamos apenas 25% da população brasileira contemplada nesse patamar. Essa tal de alfabetização ideal significa considerar alguém que entenda um texto como o que está expresso na própria revista.
Defender a educação como algo estratégico, entendê-la como crucial para alcançaramos um desenvolvimento duradouro, com uma visão política madura e de longo prazo são parâmetros que não podem ficar colados a ideologias políticas de esquerda ou de direita. Devem ser privilegiados com ações bem elaboradas na qualificação dos currículos, na atração de bons professores, na avaliação constante de educadores e alunos e assim por diante. Bons salários, obviamente, são necessários e tanto melhor será se eles servirem de incentivo e forem destinados àqueles que fazem o melhor trabalho.
Já que não tenho texto desta semana, segue este de um ano atrás. A forma de pensar é a mesma e os dados são outros.
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