segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Sujeito

Apertou no botão do 11º andar. Depois de o elevador ter voltado quatro vezes ao térreo, acordou e desceu. Saiu para a rua, andou uma quadra. Não estava no 11º. Voltou e fez o que havia programado fazer.
O carro estava com as janelas abertas e o celular atirado sobre o banco. Ninguém percebeu, tampouco ele e nada saiu do lugar. Ligou o carro e chegou ao trabalho. Estava adiantado, mas não mais do que uma hora. Não estranhou que o escritório ainda estivesse vazio. Não leu o jornal, ele não estava sobre a mesinha na sala do café. Tudo normal.
Atendeu ao telefone mais de 20 vezes. Não resolveu nenhum dos problemas. Foi pra casa satisfeito. Tarde resolvida e hora de jogar Wii.
Não se passava um só dia que não houvesse alguma novidade, alguma situação excitante. Nada lhe dizia respeito. Nem as linhas duras que nasciam. Nem a invisibilidade. Nem o sumiço da memória.
O mundo se transformou num fluxo de signos vazios. Significantes puros fluindo ao redor do Sujeito. Não era algo sobre o qual pensasse ou se desse conta. Ele já era um objeto movido pelo fluxo e só existia por ser algo assim. O estado constante das efemeridades sobrepostas preenchia o vácuo. Uma quarta dimensão sem as outras três.
Viveu. Nem nasceu, nem morreu. Viveu e era o que se podia dizer porque só havia a constância de um estar por ali. Ninguém mandou um telegrama avisando sobre a morte do significado. Conheceu a eternidade, mas nunca conheceu o seu sentido. Não fazia mesmo sentido.

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